Mensagem ao Professor André

de Patrícia Segura,
Mensagem para o André


Não é muito comum que conversemos sobre o dia de nossa morte com nossos amigos, pois por razões óbvias, temos a tendência de querer pensar que esse dia jamais chegará para nós. No entanto sempre falamos com eles sobre mudanças em nossas vidas.


Gostamos de imaginar o que faríamos, por exemplo, se ganhássemos na loteria, se tivéssemos a oportunidade de conhecer alguém famoso a quem admiramos, se pudéssemos escolher um lugar para conhecer e até mesmo coisas irreais como: o que pediríamos a um gênio se encontrássemos a lâmpada mágica.


O fato é que sempre agimos como se a morte não fizesse parte de nossas vidas, mas ela faz e, porque tentamos ignorá-la, nunca estamos preparados para sua chegada.

Quem poderia imaginar, há um mês, que hoje eu estaria aqui para falar alguma coisa para vocês sobre o meu amado amigo André que infelizmente não se encontra mais entre nós? Mesmo eu que acompanhei toda sua trajetória final me recusei a acreditar que esse dia chegaria, mas chegou.

E agora me pergunto: O que dizer? O que será que ele gostaria que eu falasse a vocês nesse momento? O que vocês esperam ouvir de mim nesse momento? O que tenho a lhes dizer nesse momento?

Eu acredito que o tal do “um minuto de silêncio” que costumamos fazer quando queremos homenagear alguém que já se foi não é apenas um ato de respeito, mas sim o ato mais profundo que podemos ter nessa hora, pois não há nada a se dizer.

Quando alguém que amamos nos deixa, tudo o que nos resta é a lembrança dos momentos que passamos juntos e a esperança de poder revê-lo um dia. A primeira coisa, que é a lembrança normalmente nos corrói a alma, não nos deixa esquecer que a pessoa se foi. Dilacera o coração e faz a saudade nos sufocar. Já a segunda, que é a esperança, é o que nos dá forças para nos levantarmos todos os dias e seguirmos em frente. Por isso eu acredito que é dela que ele gostaria que eu falasse com vocês hoje.

Se nossa esperança não for além dos horizontes materiais, se Deus não significar a certeza de nossa vida que se eterniza, se a ressurreição do Cristo não for protótipo da nossa, qual será nossa esperança, qual será nosso consolo? Para quem tem esperança, a morte deixa de ser um fantasma e se torna a condição indispensável para o encontro do homem com Deus. Para quem crê em Jesus Cristo, a morte é o começo da felicidade eterna, libertação de todas as amarras que prendem nosso corpo a terra. É começo de tudo, e não “fim de tudo”, como infelizmente ousam afirmar incrédulos e materialistas.

Não pense tanto no que partiu, no vazio que deixou, na saudade que fere, como na sua preparação para o reencontro. Se de momento é duro aceitar a separação, se há tantos mistérios circundando o seu, o meu coração intranqüilo e infeliz pela perda do ente querido, volte seus olhos para Deus e faça uma prece de esperança na vitória final.

Esqueça as lágrimas, e olhe para frente. Viva profundamente o amor a Deus e ao próximo, e você passará da morte para a vida, porque amou seu irmão. E você poderá dizer exultante de júbilo: “Na minha própria carne verei a Deus. Eu mesmo o contemplarei com os meus próprios olhos.” “E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos”.

Não sei qual é a fé ou a religião de cada um de vocês aqui, mas eu não estou falando nem de fé nem de religião, eu falo aqui de esperança, esse bendito sentimento que movimenta a raça humana e que me trouxe até aqui hoje para dizer para vocês que eu estou sofrendo muito a perda de um amigo amado, mas eu tenho a esperança que essa perda não é eterna e sim momentânea. E porque eu acredito nisso eu vou continuar amando e vivendo os amigos que ainda estão aqui comigo, para que um dia eu tenha o merecimento de rever os que já se foram.

Isso é o que eu acredito que o André queria que eu dissesse a vocês hoje: que vocês continuem se amando e se respeitando e um dia, com certeza, nos veremos de novo!

Patrícia

Em 02-05-2011, ao amado amigo André, pela passagem do seu 7º dia de seu falecimento.

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