Lendas Iguapenses escritas para as crianças

Confira a reprodução de algumas das lendas iguapenses (as tradicionais e as urbanas) em contos infantis, produzidos pelos participantes da Oficina.

A Mulher do Algodão
de Larissa Domingues Cugler

O último banheiro de uma escola foi feito em cima de onde era o túmulo de um mulher muito zangada. Dizem que ela morreu afogada em algodão, não se sabe o porquê.
Muito tempo depois, soube-se que ela passou a assombrar aquele banheiro. Ela também é conhecida como "A loura do banheiro feminino.
Diz a lenda que, para encontrá-la, é preciso usar o último banheiro feminino daquela escola, dar três batidas na porta e usar a descarga três vezes e em seguida, ela aparece.
Tinha uma menina, chamada Maria, que era muito desobediente. Durante uma certa aula, ela pediu para ir ao banheiro e logo em seguida sua amiga Ana foi junto.
Maria não gostava de estudar e então ficou no banheiro conversando com sua amiga. Mas Ana decidiu voltar para a sala, antes que a professora se zangasse. Porém, Maria não queria saber de voltar, pois achava muito chato fazer a lição. Ana, preocupada com a amiga, disse:
- Vamos voltar para a sala, a Mulher do Algodão pode vir nos pegar.
Maria a desafiou, dizendo:
- Eu não acredito na Mulher do Algodão, nunca conheci alguém que já tenha visto ela, e então, acho que ela não existe.
Ana, por sua vez, deixou como está, dizendo:
- Então, prove que ela não existe. - e voltou para a sala de aula.
Maria insistiu em ficar por lá e desafiar a tal história da Mulher do Algodão. Dai, foi ao último sanitário, usou por 3 vezes em seguida a descarga, bateu três vezes na porta e gritou:
- Mulher do Algodão! Mulher do Algodão! Mulher do Algodão!
Um vento forte fechou a porta do banheiro. Maria ficou assustada e foi lá abrir. Foi então que ela ouviu barulho vindo da descarga do último sanitário. Ela pensou que era a sua amiga que tinha voltado e foi lá conferir.
Ao chegar perto, dizem, surgiu na frente dela a terrível Mulher do Algodão e o reflexo daquela assombração não aparecia no espelho. Contam que Maria nunca mais foi vista.
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A Pedra que Cresce
de Taynara de Camargo Medeiros

Essa história aconteceu em Iguape. Foi na chegada da imagem do Bom Jesus. Quando ela chegou, foi lavada em uma gruta que hoje é chamada de Fonte do Bom Jesus de Iguape.
Aquela gruta ficou famosa, já naquela época, pois lá foi lavada a imagem de um santo. O povo daquela época comentava que aquela gruta ficou abençoada. Também falavam que as pedras da gruta passaram a crescer. Desde então, tiram lascas, colocam em um copo ou no filtro e acreditam que a água fica purificada e boa de se tomar.
O mais incrível é que um montão de gente já tirou um pedaço da gruta e levou para casa. Mas o lugar continua do mesmo tamanho. Por isso é que chamam de "A Pedra que Cresce". Por quê todo mundo leva uma lasca para colocar na água e a grata continua do mesmo tamanho.
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A felicidade feita ouro
de Aline Cristina de Ramos

O pai de Aninha era pescador e havia desaparecido no mar. Todos acreditavam que ele havia morrido. Sua família, desde então, passava por dificuldades, a cada dia eles ficavam mais pobres. Para o coração de Aninha, seu pai existia nas suas lembranças. Ficava horas pensando nas lendas que seu pai contava, "Pedra que cresce", "Choro dos Pagões", "Procissão dos Mortos", "Tucano de Ouro", entre outras que faziam os olhos da menina brilharem de entusiasmo.
A menina vivia com sua mãe e mais cinco irmãos. Aninha era a mais velha. Após o que aconteceu com o pai, a única diversão da família eram as rodas de fandango nos fins de semana.
Aninha andava sozinha pela praia pensando no casadinho de manjuba que havia comido no almoço. Imaginava se teria comida para o jantar.
Quando Aninha olhou para o alto do morro, viu uma luz brilhando perto das árvores. Primeiro ela pensou era o Sol, mas logo percebeu que o Sol estava em outra direção. Algo refletia, no meio das árvores, a luz do Sol. Curiosa, ela correu para ver o que era. De repente, a luz veio em sua direção e pousou numa árvore perto dela. Quando viu o que era, ficou surpresa. Era uma ave, toda dourada. Lembrou-se da lenda que seu pai havia lhe contado sobre o Tucano de Ouro. Contava ele que trazia sorte e felicidade para todos que o vissem. A menina resolveu falar com aquela linda e diferente criatura.
- Oi! - falou Aninha.
- Olá, menininha! -  A ave respondeu à menina, que ficou impressionada com a sua linda voz.
- Meu nome é Ana, e já conheço você! - respondeu toda alegre a menina - Meu pai contou de você!
O Tucano de Ouro respondeu, também com alegria:
- Por isso, resolvi aparecer para você, uma menina de coração puro. Muitas pessoas andam a minha procura, mas não porque gostam de mim, mas porque querem a sorte que eu lhes dou. Querem dinheiro, casas, e muitas coisas. Mas sinto que com você é diferente.
Falou isso e levantou voo o lindo tucano, indo para além das nuvens.
Aninha correu depressa para sua casa, para contar as novidades à mãe e aos irmãos. Quando chegou lá, levou um grande susto que até ficou muda! Seu pai lá estava, não tinha morrido como todos pensavam. Ele contou que havia se perdido em uma ilha deserta e conseguiu construir uma embarcação para voltar para casa. Além disso, a ilha era muito rica em ouro e ele trouxe um pouco para casa.
Assim, a família de Ana, além de ter o pai novamente, nunca mais passou fome como antes.
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A Procissão dos Mortos
Ana Lúcia de Souza

Certa vez, Joaquim ouviu falar de uma lenda: A Procissão dos Mortos. Naquele dia, por ser véspera do Dia dos Finados, ele decidiu ficar na janela da sua casa, espiando até que chegasse à meia-noite.
As horas foram passando e finalmente, chegava o momento. De repente, ele viu várias pessoas vestidas com véu, indo em direção ao cemitério. Pensou ele que fosse um bando de vadios, fazendo alguma comédia com as pessoas. Mas logo percebeu que suas aparências eram assustadoras e que cada um deles levava uma vela.
Um daqueles se aproximou e lhe deu uma vela, dizendo: "Filho, te cuida, que Deus te abençõe!"
Joaquim, sem entender o que estava acontecendo, estava apavorado com o que transformara-se a vela em suas mãos! Tratava-se de um osso humano!
Logo ele pensou: "Meu Deus! Será que aquela pessoa era o meu pai, que já morreu a muito tempo?"
Então, apavorado, começou a gritar e morreu ali mesmo, na sua janela, debruçado, tamanha foi a emoção.
A partir daquele dia, diz a lenda, ele passou a participar junto com o seu pai da Procissão dos Mortos.

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A Serpente do Boiquara
de Aline Cristina de Ramos

Uma serperte muito grande vivia nas florestas da mata atlântica com seu irmão mais novo, num local chamado como Boiquara. As duas serpentes não faziam mal a ninguém e eram amigas de todos os animais.

Certo dia, alguns caçadores entraram na floresta e encontraram com a serperte mais nova. Assustados, logo atiraram nela e ela morreu.

A serpente mais velha ficou muito triste, a partir deste dia. Chorou muito, por dias e dias, até que Tupã deu a ela o poder de cuspir fogo. Revoltada com os caçadores, que tiraram a vida do seu amado irmão, ela passou a proteger todos os animais da floresta, atacando com fogo a todos os caçadores que ela encontra pela mata, fazendo-os perderem-se ou até mesmo matando-os.

Contam que até os dias de hoje ela cumpre seu juramento de proteger aos animais da floresta, e que os caçadores tem muito medo de encontrá-la, pois ela é capaz de matar com o fogo da sua vingança.
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O Cavalo do Valo Grande
de Silvana Domingues Cluger

Diz a lenda que, nas noites de lua cheia, sob as margens do Valo Grande, aparecia um cavalo branco que vinha das profundezas do rio.

Esse cavalo perseguia as moças virgens que passassem por ali, até que, desesperadas, ela se jogassem com ele nas profundezas.

Nas noites de lua cheia, as mães ficavam mais preocupadas e temiam que suas filhas saíssem de casa.

Contam ainda que esse cavalo fora um rapaz amaldiçoado pela família da sua noiva, pois fugiu no dia em que se casaria, com uma outra moça virgem, e já havia desposado a noiva que foi abandonada.

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